Dossiê – Wind – Up Records !

HISTÓRIA, INTRIGAS E MUITO 
EVANESCENCE

Ter acesso a artistas consagrados em todo o mundo, ser uma empresa independente e possuir um catalogo disputado por grandes distribuidoras ao redor do planeta. No trajeto para alcançar as mais longínquas estrelas que as luzes mecânicas de Lisboa tenta espantar, um grande número de inimigos são feitos. Com a Wind-Up não foi diferente.

O Evanescence Rock Brasil levantou os tapetes e invadiu os arquivos secretos da gravadora e a sua conturbada relação com a voz feminina mais potente do rock da atualidade: Amy Lee, a líder do Evanescence.

WIND-UP, A HISTÓRIA

Em 1997 Alan e Diana Meltzer gostariam de investir o dinheiro em algo benéfico ao mundo. Eles defendiam a liberdade de expressão e a possibilidade de mostrar ao mundo o talento de outras pessoas, que por muitas vezes passava despercebido. Com isso, ao invés de investirem em uma Ong norte-americana, os Meltzer ficaram sabendo de uma empresa em Nova York que poderia interessar: a Grass Records.

Responsável por alguns artistas a empresa estava em declínio e precisava de novos ares – além de um bom investimento em dinheiro. Os Meltzer encontraram, então, a possibilidade de dar asas aos talentos americanos que dominariam o mundo. Com esta grande ambição, Alan e Diana trouxeram a gravadora de volta à vida e deram-lhe outro nome: Wind-Up.

Tudo o que eles não podiam ignorar sozinhos durante a noite veio à tona. Artistas antigos estavam incertos se continuariam a pertencer à gravadora, enquanto novos artistas nova-iorquinos procuravam uma oportunidade.

Uma das boas surpresas que surgiram na vida de Alan e Diana, ainda nos momentos iniciais à frente da gravadora, foi uma banda de Little Rock que chamou a atenção pelo talento musical e composição afiada. Contudo, devido a baixa faixa etária dos dois principais integrantes, devolveu o projeto pedindo que eles retornassem em alguns anos, tempo o suficiente para amadurecerem.

Descrição: Fixt Store

WIND-UP CONHECE EVANESCENCE

A entrevista a seguir, realizada em 2003 no site Hit Quarters, podemos observar um descrição rápida em que a Wind-up teve no início da contratação com a banda Evanescence. Diana disse que se preocupou de cuidar da cantora Amy Lee, pelo fato de ela vim de uma família acolhedora e sabia que sua voz era diferente de tudo que havia lá fora. E mostra os esforços que a gravadora fez para que Evanescence se tornasse uma das melhores banda das rádios. Leia abaixo, usando as setas para o direcionamento das perguntas, e entenda o porquê Wind-up parece até hoje não largar do Evanescence.

Você acha que eles iriam estourar com o primeiro álbum?
Eu não tinha dúvida de que estava destinado a ser um enorme sucesso.
Quais opções que você está trabalhando atualmente?
Eu sou pessoalmente responsável por todas as bandas na gravadora. Seether foi um projeto particularmente desafiador. Eles são da África do Sul e não tinha nenhuma base ou visibilidade aqui em nos EUA, no entanto, temos sido capazes de levá-los de uma relativa obscuridade para um único número 1 nas rádios de rock moderno com “Fine Again “, seu disco de estréia. (…) Obviamente, o Evanescence é um projeto enorme e é de minha responsabilidade garantir a credibilidade e longevidade dos artistas. Eu não só falo com Amy Lee e Ben Moody regularmente, eu também desenvolvi um relacionamento próximo com a família de Amy. Na América, Amy Lee pode ser uma sexy, jovem estrela em ascensão, porém a seus pais, ela ainda é sua “menina”. Eles sabem que eu me preocupo com sua filha e seu bem-estar e acho que eles realmente apreciam a minha participação na vida de Amy.
Como você começou a conhecer o Evanescence?
Eu estava saindo com um amigo produtor ( Pete Matthews ) em meu escritório. Ouvimos música por sete horas naquele dia. Em um ponto, ele me disse que queria ouvisse uma banda que ele estava trabalhando com alguns demos. Quando eu ouvi “My Immortal”, eu sabia que era um hit. Minha filosofia pessoal é que quando você encontrar grandes talentos que você não pode perder tempo, se preocupando com formatos de rádio, ou onde o artista pode se “encaixar” dentro do cenário musical atual. O que é quente e atual hoje pode facilmente ser notícia velha de amanhã, e se você gosta ou não essa é a realidade actual do negócio. Você tem que confiar em seus instintos! Eu sabia que uma balada tinha pouca chance de serem programados nas rádios de rock, mas eu senti que era uma canção incrível que mostra o alcance da banda. Parecia ideal para uma trilha sonora e, quando adquiriu os direitos para o filme “O Demolidor”, a faixa encontrou um lar. Agora que o Evanescence ter atingido algo grande com que eles têm, “My Immortal” pode ainda surgir como um único futuro na estrada.
O que você viu neles que fez querer contratá-los?
A banda ainda não tinha escrito “Bring Me To Life ” e o single atual “Going Under “, mas Amy tinha uma voz tremenda. Sua voz, o som gótico da banda e as letras eram nada menos do que surpreendente e diferente de tudo lá fora.
Como se preparou em divulgá-los? Houve coisas que precisavam para melhorar antes de gravar o álbum, “Fallen”?
Assim que ouvi a música eu tive uma visão do que a banda poderia evoluir. Amy e Ben estavam ambos com 18 anos e eu sabia que, dado o tempo e oportunidade eles poderiam fornecer um som inovador. Mudamos de Little Rock, Arkansas, para Los Angeles, os matriculamos em uma academia, dei a eles um espaço de ensaio e um apartamento, e arranjo para atuação vocais, e movimento de classes para Amy. Ficamos paciente por toda parte, e depois de quase dois anos, trouxemos Dave Fortman para produzir o disco. Antes de ir para o estúdio, lembro-me de estar sentado no escritório de Alan ouvindo “Bring Me To Life”, quando ele se virou para mim e sugeriu de tão poderosa a canção era, não era algo que ele estava ouvindo que ainda devia estar lá – um rapper. Nós discutimos sobre isso com a banda, reuniu uma versão grosseira com o rap inserido e os resultados foram quase mágico. A dinâmica dos vocais de Amy com Paul McCoy (rap/vocal) em colocar a música em uma categoria própria.
A banda tinha feito qualquer coisa, tais como a liberação e promover um EP, antes de ser contratado por você?
A banda lançou um home-made álbum, que vendeu localmente em shows. Pode não muito medir até “Fallen”, mas claramente exibiu o enorme talento que Amy e Ben teve, eu sabia que, com o tempo, eles poderiam se tornar uma força poderosa na música rock contemporâneo.
Quais foram os meios de comunicação importantes como fatores de transgressões do Evanescence?
Desde o início, temos usado a Internet no Wind-up para construir bases de fãs, se comunicar com a comunidade musical e desenvolver os nossos artistas. Quando lançamos o álbum Creed em primeiro lugar, nós fornecemos os fãs com um pré-embalados, prontos para ir para o site, incluindo música e sua foto Creed própria e exclusiva. Enquanto isso, várias grandes gravadoras estavam processando 14-year-olds para streaming de música! Rádio obviamente desempenhado um papel importante, apesar do fato de que o som era diferente do que eles e o consumidor tornou-se acostumado, e eles apoiaram e continuam a apoiar a banda.
Você acha que eles iriam estourar com o primeiro álbum?
Eu não tinha dúvida de que estava destinado a ser um enorme sucesso.
Quais opções que você está trabalhando atualmente?
Eu sou pessoalmente responsável por todas as bandas na gravadora. Seether foi um projeto particularmente desafiador. Eles são da África do Sul e não tinha nenhuma base ou visibilidade aqui em nos EUA, no entanto, temos sido capazes de levá-los de uma relativa obscuridade para um único número 1 nas rádios de rock moderno com “Fine Again “, seu disco de estréia. (…) Obviamente, o Evanescence é um projeto enorme e é de minha responsabilidade garantir a credibilidade e longevidade dos artistas. Eu não só falo com Amy Lee e Ben Moody regularmente, eu também desenvolvi um relacionamento próximo com a família de Amy. Na América, Amy Lee pode ser uma sexy, jovem estrela em ascensão, porém a seus pais, ela ainda é sua “menina”. Eles sabem que eu me preocupo com sua filha e seu bem-estar e acho que eles realmente apreciam a minha participação na vida de Amy.
2001: uma odisseia no espaço e um novo contrato na mão
Os anos se passaram. Em 2001 a gravadora já contava com um catálogo de artistas disponíveis e prontos para ganharem o mundo. Foi então que uma banda ressurgiu em seu leque de opções para a ganhar o mundo. O CD “Origin”, lançado em 2000 de forma independente com apenas 2.500 cópias deu resultado e, naquele momento, os empresários da Wind-Up chamaram Ben Moody e Amy Lee para conversarem.

Alguns anos mais velhos e com um som mais potente, a Wind-Up sucumbiu ao som melódico da banda Evanescence. O nome foi visto com certo receio pelos empresários, pois admitiam que talvez houvesse um certo afastamento do público por não ser uma palavra conhecida, mas Amy Lee foi forte e afirmou que o contrato só seria assinado se o nome fosse mantido.

E foi assim que 2001 foi marcado na história, não só como o ano da odisseia no espaço, mas também no ano em que o Evanescence assinou seu primeiro contrato com uma gravadora que estava disposta a gravar o seu som e divulgar não só nos Estados Unidos, mas em todo o mundo.

O PODER MUSICAL DA WIND-UP
Em 2012 o principal catálogo de artistas da gravadora, os recordistas de venda, são Evanescence e Creed. Contudo, outras vinte bandas estão presentes na cartilha de frente da empresa. São elas:

Segundo Diana Meltzer em resposta para uma entrevista de 2003, sobre o que diferencia a Wind-Up de outras gravadoras – ela disse que a Wind-Up simplesmente não desiste de um artista como outras gravadoras fazem e isso servia em muitas vezes como um modelo para outras. Completando ainda que as bandas estão dentro e fora de sua casa regulamente, se tornando a sua família e por isso, eles sabem que ela os amam.

Atualmente, Wind-Up conta com o comando de Diana Meltzer – e um grupo de associados e acionistas – comandam a Wind-Up e mantém os artistas com rédeas curtas. O que antes era trabalho junto com artistas, agora é definido pela gravadora e cabe aos talentosos músicos a seguinte escolha: aceitar a condição ou quebrar um contrato milionário e ficar sem gravadora.

O INÍCIO E O FIM DA PARCERIA COM A SONY
A Wind-Up foi alvo de negociações desde que lançou no mercado diversas bandas que, em pouco tempo, ganharam o mundo. Muitas outras empresas do segmento tentaram comprar a Wind-Up e incorporar em seu acervo de empresas dependentes. EMI , Sony e Warner foram algumas das que tentaram, sem sucesso, comprar toda a gravadora.Com as esquivas ao investimento milionário de outras empresas que tentaram comprá-la, a Wind-Up ganhou destaque no cenário mundial como a principal gravadora independente. Em seu acervo um time de causar inveja: Creed, Seether, Evanescence e The Queen Killing Kings são alguns exemplos.

Não foi de se estranhar, então, quando a Sony enviou um outro projeto à Wind-Up: a de se unirem para distribuir as músicas dos artistas para todo o mundo. Por muitos anos a empresa ficou responsável por levar o trabalho das bandas a diversos países e tudo estava bem.

Já em 2009, a Wind-Up já deixou à mostra que os ares que mantinham como base em 1997 estavam em transformação. A liberdade de expressão dos artistas foi, por muitas vezes, deixada de lado e a gravadora passou a coordenar muito mais do que apenas datas de lançamento, gravações e contratos.

Naquele mesmo ano, a Sony de alguns países estava com problemas de relacionamento com a gravadora, devido a liberação do material. Na mesma época a Warner Music entrou na briga e sugeriu aos Melzter vender o seu catálogo de distribuição para que eles pudessem divulgar e disponibilizar para todo o mundo. A empresa do Pernalonga estava interessada nos artistas Seether, Evanescence e Creed. As negociações estavam avançadas e os valores acima do mercado, momento em que a Wind-Up percebeu que poderia ganhar muito mais que isso.

Em uma manobra minuciosa e que ainda deixa Pernalonga e sua turma de cabelos em pé, a Wind-Up passou a negociar seu acervo musical com a EMI. O valor da negociação não foi revelado, mas a empresa conseguiu deixar Sony e Warner para trás, ganhando o dinheiro de distribuição do catálogo de artistas da Wind-Up, o monstro das gravadoras que passou a lucrar com o sonho musical dos norte-americanos.

A IMORTAL QUEDA DE BRAÇO ENTRE WIND-UP E O EVANESCENCE
“A gravadora está fazendo o que ela quer”. É com essas palavras queAmy Lee imortalizou sua primeira ida à Praga, República Tcheca, em junho de 2012. Essa não foi a primeira vez que a vocalista do Evanescence afirmou ter uma constante briga com a gravadora para definir o que poderia ser feito ou não. Foi assim em Fallen, The Open Door e, obviamente, em Evanescence.A fase mais marcante em que ficou evidente a luta constante entre Amy Lee e a gravadora foi o recesso entre The Open Door para o atual álbum. Lee disse que era um tempo necessário que ela precisava passar reestruturando todas as ideias em sua mente, inclusive o local onde a banda estava inserida. “Sem pressão de fãs e gravadora, fiz o que era necessário para mim no momento”. Contudo, o que ocorreu foi mais complicado. Com um acúmulo de mensagem de fãs e uma contínua cobrança da gravadora, Amy Lee continuou seu recesso de forma pacífica, sem causar maiores problemas. Diferente do processo de gravação do Evanescence.

Steve Lillywhite foi colocado, pela gravadora, para produzir o disco de retorno do Evanescence. Ainda sem nome definido a banda começou a trabalhar, mas não teve sucesso em terminar o processo. “Steve é ótimo, mas ele não entendeu o que nós queríamos com esse álbum”, conta Amy Lee. A briga da gravadora com a banda intensificou neste momento: na droga de Steve por Nick.

Das constantes cobranças e das brigas, nasceu uma nova música que foi incluída no álbum: Sick.

 “A inspiração por trás dessa música é sobre o processo que estivemos compondo, que foi muito tempo. Estávamos ficando frustrados com a gravadora e eu estava cantando sobre essa frustração”.

A queda de braço continuou, mas todos saíram ganhando. O Evanescence, por insistência de Amy Lee, continua no direito de decidir quais músicas entram ou não no álbum, da mesma forma que têm total liberdade para criar, compor e gravar. A gravadora, no entanto, escolhe as ações de marketing, datas para singles, inclusão em trilhas sonoras e a escolha das músicas de trabalho.

Questionada sobre o lançamento do novo single Lost In Paradise, Amy foi categórica em responder: “Não sei ao certo quando foi lançado, acho que já foi [lançado]. A gravadora está fazendo o que ela quer, por isso é difícil para eu saber o que está acontecendo (risos)”.

O afastamento entre a banda e a gravadora ficou evidente quando o jornalista perguntou sobre a inclusão de My Immortal no single. “Eu não fiz nada, a gravadora que fez tudo!”. O jornalista continuou: “Então você ficou fortemente contra isso?”. “Sim, fiquei. Quando se trata de negócios, é sempre frustrante”.

A distância do caminho percorrido entre banda e gravadora está, cada dia mais, evidente ao público externo. A vontade e energia de Lee em fazer mais um disco estão presentes em sua entrevista – da mesma forma como o descontentamento com a gravadora. Mas então, o que há faz continuar?

“Eu luto sempre [com a gravadora]. Ainda é uma luta. Se você realmente ama o que faz, você briga por isso. A razão pela qual eu estou aqui é porque amo nossos fãs e estou muito feliz que eu possa fazer a música que eu gosto. Para aguentar é só se lembrar do sentido bom de tudo isso, o que é o mais importante: os shows, a música e, sem dúvida, os fãs”.

Créditos: Ev Rock BR !

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